| 03 Outubro 2009 às 06:50 | |
Quando lembro do período entre o Agosto de 2006 e Setembro de 2007, bate muita saudade!!! Neste período ficou claro que o amor pelo Poker havia ganho a batalha quanto a minha formação acadêmica e meus anos grudados em uma mesa de escritório (foi assim que meu trabalho, que ainda era minha maior fonte de renda mensal, estava se tornando secundário em minha predileção). Durante o segundo semestre de 2006 e todo o ano de 2007, me dediquei em jogar com bastante afinco os 3 maiores circuitos nacionais da época (BSOP, CPH e Circuito do ABC) e regularmente os maiores torneios semanais do Paradise, Ômega e All In Tatuapé (casas que infelizmente não existem mais). Minhas 12 horas diárias em uma mesa de escritório e incursões em pelo menos um final semana de cada mês (sempre nos finais de semana de fechamento mensal) diminuíram para as 8 horas padrão. Durante este período joguei com os melhores do Brasil e percebi a evolução que o jogo e os jogadores sofriam. Em cada torneio que jogava o “field” era maior, a organização se aprimorava e a dificuldade aumentava junto com os prêmios (consequentemente as horas de jogo aumentavam). Analisando friamente este panorama, os meus resultados obtidos neste período foram superiores ao meu nível de jogo e chegaram a incríveis 42% de ROI (retorno de investimento) e 47 mesas finais (de 101 torneios jogados) de Agosto de 2006 até setembro de 2007. Tudo isto fez com que eu decidisse realizar 4 viagens internacionais (Conrad por 2 oportunidades em 2006, Iguazu em 2007 e Barcelona em 2007) onde realizei uma mesa final em um evento do Conrad (caindo na quinta colocação), uma mesa final em evento no Iguazu (caindo na terceira colocação) e uma mesa semifinal em evento paralelo do EPT de Barcelona (caindo na décima oitava colocação). Não vale a pena entrar no detalhe de cada competição disputada pois o tempo apagou os erros cometidos e fez com que somente as vitórias ficassem. Na época era um jogador muito mais impetuoso e menos matemático do que me tornei (nos dias de hoje me considero mais experiente e com leitura mais apurada; ou seja, um jogador mais completo; porém, não jogo mais os circuitos pois me dedico em organizar torneios). Fazendo um mea-culpa, nos grandes torneios que cheguei bem, em algum momento ganhei alguma mão que estava por baixo e que me fez ter fichas para chegar mais longe. O único torneio que não me recordo de ter dado “bad beats” foi no Conrad, que fiz a mesa final, onde uma punição de 20 minutos na mesa final (que considero justa nos dias de hoje pela minha conduta agressiva de gritar em todas as mãos ganhas, lembrando que o tempo me fez perceber que devemos sempre demonstrar respeito pelos jogadores e não gritar é um sinal de respeito e hoje sou incapaz de tal ato) fez com que eu não figurasse entre os 3 primeiros colocados. Uma alegria e tristeza que nunca esquecerei, foi o fato de ter obtido a classificação no satélite “live” do EPT de Barcelona com 2/3 das fichas de todo o evento satélite (sendo que acabei entrando neste satélite como último “alternate” no final do tempo previsto) e de ter perdido no evento paralelo do EPT de Barcelona para 3 “outs” por 2 oportunidades (quando estávamos em 20 jogadores) que me tiraram da disputa de um prêmio de 110.000 euros e de trazer a primeira mesa final de um evento do EPT (mesmo sendo paralelo) para o Brasil. Em Setembro de 2007, com os resultados apresentados e a perspectiva de começar a organizar torneios no Paradise e ter uma renda extra, em conjunto com minha família, projetamos que no máximo em 2 anos me profissionalizaria e passaria a viver somente do Poker. Na época pensei, até o momento esta tinha sido a maior vitória conquistada, pois obter este reconhecimento em minha casa (onde minha mulher e parte de sua família tinham certo receio a respeito do Poker) era a quebra do maior paradigma que minha vida já havia delineado. Assim sendo, conjuntamente, decidimos que durante os 6 primeiros meses de 2008 faríamos uma adaptação e eu tocaria paralelamente meu trabalho e o Poker. Porém, algumas mudanças e infortúnios fizeram com que os planos de me dedicar ao Poker fossem adiados. Esta será a matéria da nossa próxima coluna (onde o ano de 2008 ficou marcado na vida da minha família como sendo o ano dos resultados ruins, da perda de rendimentos devido à crise da moratória americana e do meu afastamento do cenário do Poker por 5 longos meses). Como disse na primeira coluna, esta história tem coisas boas e ruins ... Vamos dividir todas as alegrias e tristezas que vivi !!! Um grande abraço e nos vemos na próxima semana. | |

Engenheiro Aeronáutico formado pelo ITA e pós graduado na FGV, residente em São Paulo, resolveu abdicar de uma bem sucedida carreira como executivo de uma multinacional de telefonia fixa, onde trabalhou por 10 anos, para atuar no segmento do Poker.
Atua como jogador profissional desde 2005 obtendo resultados expressivos em cenário nacional e internacional com mesas finais e ITM's no EPT de Barcelona (evento preliminar), Conrad 1KK, Série Deep Stack Stravaganza (Venetian - Las Vegas), 500K - Cassino Iguazu, BSOP, CPH, Circuito do ABC e mais de 150 mesas finais em eventos de menor envergadura no cenário "live" Brasileiro.
Atualmente atua como diretor técnico de toda grade de torneios regulares no H2 Club (além de ter participado ativamente na organização dos 2 maiores eventos realizados no ano de 2009, que foram o Poker Solidário (primeiro evento oficial da CBTH) e o 750K Garantidos).
Atua esporadicamente como comentarista do programa Poker After Dark (na Band Sports).
Joga sob a bandeira do Full Tilt Poker tendo como especialidade os jogos NL Hold'em, Limit Hold'em e Razz.
Optou por fazer uma coluna semanal; sempre publicada às Quartas; onde contará como o Poker entrou em sua vida, se estabeleceu como seu lazer e depois se tornou sua profissão. Nesta coluna não faltarão passagens dos eventos mais marcantes de todas estas fases pois uma trajetória como esta foi feita por acontecimentos cheios de alegrias e decepções.
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