| 10 Outubro 2009 às 10:24 | |
Antes de comentar o ano de 2008, vou falar um pouco sobre mim... Sou uma pessoa complexa, de personalidade forte, opiniões contundentes e de um humor muitas vezes bipolar. Em alguns momentos sou amável e em outros sou detestável (quem convive comigo sabe exatamente o quão difícil é estar ao lado de alguém que muda de humor com facilidade). Isto, me torna uma pessoa que não consegue causar reação nas demais pessoas. Algumas pessoas compreendem meus atos e incertezas e acabam por me receber com carinho (mesmo nestes momentos mais complicados) e relevar minhas atitudes e outras acabam desistindo de tentar entender minha complexa personalidade e desgostam de mim. Por outro lado, tenho convicção de ser uma pessoa justa com meus princípios, honesta, de bom coração e caráter (fruto da boa educação e de ter ao meu lado uma família com os mesmos princípios que consegui adquirir). Já cometi diversas injustiças na vida (muitas no meio do Poker), pré-julguei pessoas, fui contundente com opiniões (que com o tempo percebi que eram equivocadas) e tive a dignidade de pedir desculpas e reconhecer (como homem e chefe de família que sou) que os erros foram provocados por minhas atitudes impróprias. Não tenho nenhum pudor em dizer que fui injusto com o Akkari, Federal, Kiko, MGP, Omar, Vitão, Robigol, Brasa, Luiz Noal e outros !!! Mas, agradeço por dispor de oportunidade de conversar com muitos deles e pedir desculpas olhando em seus olhos e hoje os tenho como amigos novamente (com todos me ajudando muito nos momentos de dificuldade que enfrentei). Pois bem, este sou eu !!! Agora vou me inserir em Janeiro de 2008... Nesta época era funcionário da empresa Sonda Procwork (multinacional com quase 6.000 funcionários entre CLT’s e terceiros) como Gerente de Projetos Sênior. A Sonda Procwork realiza atividades de terceirização de IT (para os leigos o termo “Information Tecnology” significa gerir toda a área de Informática de empresas que não querem esta responsabilidade ativa). Não ter esta responsabilidade ativa para estas empresas torna-se rentável pois as mesmas acabam não tendo ativos com processos trabalhistas (pois todos os funcionários são de outra empresa) e não possuem em seu balanço patrimonial todos os bens relativos aos equipamentos e sistemas de informática, pois os mesmos são da empresa que presta o serviço (quando me refiro a ativos são os Servidores, Micros, Notebooks, Equipamentos de Rede, Sistemas Operacionais, Programas de Mercado e Programas Desenvolvidos (proprietários) que durante todo o contrato sofrem reposições, inventários e upgrades conforme as tendências do mercado e as necessidades das empresas contratantes). Um Gerente de Projetos Sênior era o responsável por estas operações e a Sonda Procwork que já era líder deste mercado há cerca de 3 anos tinha estes serviços alocados em grandes instituições (Telefônica, Citibank, Mc Donald’s, Petrobrás, TIM, Sadia e pelo menos uns 200 clientes um pouco menores). Pois bem, eu era responsável pela “Operação Telefônica” e nela trabalhavam 110 recursos de diferentes áreas (indiretamente considerando suas famílias tinha responsabilidade por mais de 500 pessoas). Pois bem, em Janeiro de 2008 minha empresa foi avisada que seria aberta uma concorrência para que entrasse um novo prestador de serviços na área de TI e que nossas atividades seriam encerradas em Julho de 2008. Aquilo representava uma mudança muito grande em meus planos pois não poderia deixar 500 pessoas na mão (assim sendo, meu plano inicial de me profissionalizar no começo de 2008 foi por água abaixo). Eu era o comandante daquele “barco” que funcionava muito bem mas que era muito caro e existiam empresas tão grandes quanto a que eu trabalhava que estavam com propostas financeiras muito mais baixas e aumento dos serviços agregados. Ou seja, conforme previsto, em Julho de 2008, saímos da Telefônica. A saída foi catastrófica para alguém que comanda um “barco”... A empresa que trabalhava manteve empregados somente as 3 pessoas de cargo mais alto neste processo pois existiam outras operações com dificuldades (uma destas pessoas era eu). Tive que pessoalmente demitir mais de 100 pessoas em 2 dias (muitas destas pessoas começando a vida, com filhos nascendo, familiares doentes e prestações por pagar). Estas pessoas participavam de minha vida pessoal em churrascos, confraternizações e no dia-a-dia que era infernal pois conduzíamos quase 2.000 localidades, 20.000 funcionários, 30.000 chamados por mês de diferentes problemas e 15.000 equipamentos. Aquilo acabou comigo !!! Nunca mais consegui ser o mesmo profissional, ter o mesmo amor pela empresa que trabalhava e acreditar em meus superiores (que prometeram manter parte da equipe para que não houvesse uma debandada entre Janeiro e Julho de 2008). Durante quase um ano depois deste processo me tornei um empregado medíocre, um jogador de Poker afetado nas tomadas de decisões e me afastei das pessoas que gostavam de mim (pessoalmente, não me suportava diante do espelho, pois me sentia fracassado). Sem Bankroll, com um custo de vida maior do que podia enfrentar, passei a me dedicar em realizar torneios pequenos as quartas (utilizando-me somente da experiência como jogador) em uma casa pequena com cinco mesas chamado “Único” (oportunidade esta, dada pelos meus grandes amigos Kiko Bicudo e MGP Ferreira que perceberam o momento complicado que estava vivendo). Quando estava me reestabilizando emocionalmente e financeiramente, 90% das minhas reservas foram consumidas com o crash mobiliário americano e perdi quase tudo que havia conseguido guardar para emergências na bolsa de valores. Além disto, quis fazer torneios com Rake menor que 10% e tive meu carro apedrejado e bilhete de ameaça e resolvi me afastar por definitivo do meio do Poker por medo de estar comprometendo minha família. Em Dezembro de 2008, conversando com minha mulher, percebi que estava muito infeliz e que o Poker tinha que voltar a minha vida (como o Doyle Brunson diz, na entrada do programa Poker After Dark, na Band Sports, “a falta do Poker te envelhece” e me sentia “sem sentido” e “envelhecido”). Assim, resolvi tomar uma decisão importante... Voltar ao universo do Poker, me especializar em dirigir torneios e aos poucos retomar minha vida de jogador e caso esta retomada surtisse efeito, reduziria meu padrão de vida, mas me tornaria um profissional do Poker e seria feliz novamente. E isto aconteceu em 2009 !!! (que será o tema da nossa próxima coluna). Agradeço o apreço dos leitores, peço desculpas pelo tamanho da coluna e deixo aqui uma mensagem de confiança a todos (ACREDITEM EM SEUS SONHOS ... POR MAIS DISTANTES E COMPLEXOS QUE ELES POSSAM SE MOSTRAR, NUNCA DEIXEM DE TENTAR !!!). | |

Engenheiro Aeronáutico formado pelo ITA e pós graduado na FGV, residente em São Paulo, resolveu abdicar de uma bem sucedida carreira como executivo de uma multinacional de telefonia fixa, onde trabalhou por 10 anos, para atuar no segmento do Poker.
Atua como jogador profissional desde 2005 obtendo resultados expressivos em cenário nacional e internacional com mesas finais e ITM's no EPT de Barcelona (evento preliminar), Conrad 1KK, Série Deep Stack Stravaganza (Venetian - Las Vegas), 500K - Cassino Iguazu, BSOP, CPH, Circuito do ABC e mais de 150 mesas finais em eventos de menor envergadura no cenário "live" Brasileiro.
Atualmente atua como diretor técnico de toda grade de torneios regulares no H2 Club (além de ter participado ativamente na organização dos 2 maiores eventos realizados no ano de 2009, que foram o Poker Solidário (primeiro evento oficial da CBTH) e o 750K Garantidos).
Atua esporadicamente como comentarista do programa Poker After Dark (na Band Sports).
Joga sob a bandeira do Full Tilt Poker tendo como especialidade os jogos NL Hold'em, Limit Hold'em e Razz.
Optou por fazer uma coluna semanal; sempre publicada às Quartas; onde contará como o Poker entrou em sua vida, se estabeleceu como seu lazer e depois se tornou sua profissão. Nesta coluna não faltarão passagens dos eventos mais marcantes de todas estas fases pois uma trajetória como esta foi feita por acontecimentos cheios de alegrias e decepções.
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